terça-feira, abril 11, 2006

Lagrima de Preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Agua (quase tudo)
e cloreto de sódio.

in "Máquina de Fogo", 1961

3 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

esta é tão gira...

7:10 p.m.  
Blogger JD disse...

eu gosto muito..

1:23 p.m.  
Blogger Unknown disse...

é dos meus preferidos!

7:52 a.m.  

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